Nov 24 2009
Os 200 anos do pobre Félix Mendelssohn
Quem se lembra do pobre Félix Mendelssohn?

O nome pode parecer vagamente familiar, mas se pedirmos a alguém que indique uma das suas composições, provavelmente muitos não conseguirão dar uma resposta correcta. Mas a verdade é que ele foi o autor da famosa “Marcha Nupcial” – aquela que já ouvimos até à exaustão em casamentos, desfiles, filmes e telenovelas – em orquestrações diversas e arranjos variados mais ou menos massacrados ou coloridos – mas onde a melodia principal é sempre reconhecível.
E 2009 é o ano da celebração do 200º aniversário deste artista. Foi mais um dos aniversários “redondos” de 2009, porque este ano foi prolífico em datas especiais. Celebramos o 200º aniversário da morte de Haydn, o 250º aniversário da morte do Händel, o 350º aniversário do nascimento do Henry Purcell (1659-1695), o 300º aniversário do nascimento de Franz Xaver Richter (1709-1789), o 200º aniversário da morte do Johann Albrechtsberger (1736-1809), o 250º aniversário da morte de Carl Heinrich Graun (1703-1759) e o 150º aniversário da morte de Louis Spohr (1784-1859) – mas hoje, quero apontar o holofote na direcção do pobre (e por vezes injustiçado) Félix Mendelssohn.
Na lista dos nomes grandiosos da música erudita, Mendelssohn devia brilhar tão intensamente como alguns dos seus contemporâneos: Wagner, Liszt ou Berlioz. No entanto, a reputação do pobre homem parece nunca ter escapado das garras da máquina de propaganda nazi. Aliás, as suas desventuras são ainda anteriores ao Terceiro Reich, uma vez que começaram logo três anos depois de ter morrido, quando Wagner escreveu em 1850 o seu panfleto anti-judeu chamado “Das Judenthum in der Musik”, onde dizia que os judeus são incapazes de falar propriamente as linguagens europeias, sendo apenas um “fungar chiado, buzinado e rangido” incapaz de expressar verdadeira paixão, o que na opinião de Wagner impossibilitava a criação de verdadeira música.
Este movimento difamatório anti-Mendelssohn-e-anti-judeus-na-música-alemã duraria mais de um século, atingindo o seu clímax na altura do Terceiro Reich, quando as obras de Félix foram banidas. Na década de 1930, a música de Mendelssohn não podia ser executada (ou sequer ouvida) pelos sensíveis e refinados ouvidos arianos. Nada de fungadas, chiadas ou rangidas! Os compositores de mérito tinham que ser encarnações do espírito ariano. Johann Sebastian Bach é que era bom! O mais Alemão dos Arianos! O mais Ariano dos Alemães!
Mas curiosamente, se não fosse por Mendelssohn, Bach não poderia ter sido aclamado pelos nazis. Por que razão?
Quem estiver interessado em saber, pode ler o resto do artigo no Portal Paralelo 33.

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