Hoje, quando estava a procura do desenho para colocar no blog (tinha decidido que seria algo antigo, do fundo do armário) – encontrei alguns dos meus esboços para uma “grandiosa adaptação” da trilogia original da FUNDAÇÃO, do Isaac Asimov, o que trouxe muitas e agradáveis memórias sobre este autor.
Na altura (tinha eu uns 15 anos) era já um ávido leitor, embora curiosamente me restringisse a literatura anglo-saxónica do século XIX (Robert Louis Stevenson, Edgar Allan Poe, Arthur Conan Doyle, Oscar Wilde…) de modo que até agora, a minha leitura estava sempre bem assente no passado e marcada por carruagens, luz de gás e essas coisas. Até que me ofereceram o primeiro volume da FUNDAÇÃO. Foi curioso saltar do Século XIX para o ano 12.068 GE (doze mil e sessenta e oito!) do Império Galáctico (só para ter uma ideia da distância temporal… imaginem que a humanidade domina as viagens espaciais, conquista a galáxia inteira, organiza-se e finalmente funda um Império, que já vai no ano doze mil… a humanidade já nem se lembra qual é o seu planeta de origem).
A partir desse livro, fiquei grande fã do Asimov. Passei a comprar tudo o que encontrasse dele. E parecia que as obras dele nunca mais acabavam (depois iria descobrir que escreveu quase 500) – e foi com grande alegria que uma vez no DN descobri uma crítica de livros, que falava curiosamente dos livros dele (é engraçado ver agora que anos depois, acabaria por conhecer o autor do texto e trocarmos frequentemente opiniões sobre livros, óperas, arte e música).
(se alguém quiser ler o texto completo, pode fazer clique AQUI)
Na altura, foi uma grande alegria saber que alguém mais conhecia o Asimov (normalmente, a resposta que obtinha nas livrarias era “ISAquem?” quando eu perguntava por livros dele) – fez-me sentir menos “nerd”, naqueles tempos difíceis da adolescência. Entretanto, foram justamente os relatos de Asimov sobre computadores (como o MULTIVAC) e Robots que despertaram o meu interesse pela Tecnologia e pela Informática, abrindo as portas da minha imaginação para o potencial quase ilimitado da tecnologia em desenvolvimento (provavelmente Asimov foi o responsável por ter ido estudar Engenharia Informática). Guardei justamente no livro que tinha o primeiro conto que li sobre o MULTIVAC (“a última pergunta”) o obituário do Asimov, que descobri acidentalmente quando estava a ler o diário, enquanto lanchava, no dia 7 de Abril de 1991.

Foi estranho, porque nessa altura vi que até esse momento, tinha estado a ler um autor “vivo” (a diferença do Poe, Stevenson, Conan Doyle, etc) – e que até lhe poderia ter escrito (não para ter uma resposta, mas apenas para que um autor que eu admirava soubesse que eu existia e qual a minha opinião da sua obra) – foi por acaso depois dessa altura que decidi começar a contactar os autores que admiro e dizer-lhes o que acho do seu trabalho… esse hábito ainda não foi perdido, por acaso… basta perguntar ao Palahniuk, ao Easton Ellis, ao Neil Gaiman ou ao Craig Russell.